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09 de Dezembro de 2010

CONSCIÊNCIA NEGRA

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Refresca a memória um lampejo de História. Em 1549 chegaram os primeiros navios carregados de escravos africanos. Destinados, inicialmente, ao trabalho forçado nos engenhos de açúcar, os negros forjaram o Brasil moderno. Produziram diversidade racial.

         O escravismo era conhecido desde a Antiguidade. Decadente, seu golpe de morte chegou desferido pelo fim do Império Romano. Desaparecida da Europa, substituída pelo feudalismo e, depois, pelo capitalismo, a escravidão ressurgiu após mil anos, no Brasil. Os colonizadores inverteram a lógica do desenvolvimento linear da História.

         Uma volta ao passado.

         Na exploração do pau-brasil penaram os indígenas locais. Mas no ciclo da cana de açúcar, em Pernambuco e na Bahia, a mão de obra se abasteceu com o tráfico negreiro. Em 1559, o comércio humano foi legalizado por decreto do rei Sebastião, de Portugal. Raptados da África Meridional e Central (Angola, Moçambique e Congo), famílias inteiras trocavam, na marra, a selva pelo canavial.

         Estima-se que 4,5 milhões de negros africanos tenham sido trazidos para o Brasil nos três séculos de escravidão. Isso sem contar os mortos nos abomináveis navios, que se acredita atingirem 40% do número total de capturados. Uma duradoura barbaridade.

         O abolicionismo remonta ao século XVIII, mas adquiriu relevância apenas em meados do século XIX, a partir da pressão inglesa. Em 1845 a Inglaterra impôs o Bill Aberdeen, lei que dava poder à sua Armada para aprisionar navios negreiros. Em 1850, o Brasil aprovou a Lei Eusébio de Queiroz, proibindo o tráfico de escravos. Com a lei do Ventre Livre se estabeleceu, a partir de 1871, a liberdade para os filhos da senzala. Abriam-se, vagarosamente, os grilhões da escravidão.

         20 de novembro tornou-se o DIA NACIONAL DA CONSCIÊNCIA NEGRA instituído no dia 20 de novembro do ano de 1971, em homenagem ao ícone do escravismo ZUMBI do Quilombo dos palmares, que foi assassinado na luta pela liberdade do nosso país.

         Nesta data acontecem discussões sobre a importância da raça negra no Brasil, porém não vejo melhor caminho para entender a história social e cultural do país, a não ser começando pelo estudo de suas matrizes culturais: indígena, européia, africana e asiática. Palmares, na sua radicalidade social e política, foi o primeiro troço do solo brasileiro a se emancipar, temporariamente é verdade, da soberania lusitana num primeiro momento, mas ficou para nós lutadores da África e do Brasil a possibilidade de, a partir do diálogo, mas não menos do enfrentamento, vencer a difícil e complexa dívida histórica e cultural com os povos d'África e para isso, é necessário conhecimento, mas não só aprender história ou geografia, também descobrir que entre Brasil, África, Ásia, Europa há muita coisa em comum, principalmente o combate ao racismo e à injustiça social.

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