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13 de Março de 2013

LÍNGUA BRASILEIRA

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     Existe língua brasileira? Aqui no Brasil nós ainda falamos a língua portuguesa. Temos, em meu ponto de vista, um falar brasileiro, que seria um modo brasileiro de usar a língua portuguesa.

     Afirmam alguns estudiosos como o Professor Antenor Nascentes, não falava em língua brasileira e sim em “idioma nacional”; o mestre Gladstone Chaves de Melo falava em língua comum e variantes regionais; e o grande filólogo Serafim da Silva Neto afirmou que o português culto do Brasil é quase igual ao português culto de Portugal. Isso significa, portanto, que as diferenças maiores estão na linguagem do dia a dia.

   No livro A Língua portuguesa e a unidade do Brasil, o mestre Leodegário de Azevedo Filho resume bem: “Em poucas palavras, existe unidade na variedade de normas e de usos linguísticos. E isso porque, se os morfemas gramaticais permanecem os mesmos, a língua não mudou, a despeito de qualquer variação de pronúncia, de vocabulário ou mesmo de sintaxe”.

 O que existe na verdade são variantes linguísticas:

a)    Variantes geográficas: nacionais (Brasil, Portugal, Angola...) e regionais (falar gaúcho, mineiro, baiano, pernambucano...);

b)    Variantes socioeconômicas (vulgar, popular, coloquial, culto...);

c)    Variantes expressivas (linguagem da prosa, linguagem poética).

O que deve ser respeitado por todos nós são as diferenças, sejam fonéticas, semânticas ou sintáticas.

      Uma diferença fonética bem perceptível é a pronuncia das vogais. Aqui no Brasil, nós pronunciamos bem todas as vogais, sejam tônicas ou átonas. Em Portugal, a tendência é só pronunciar bem as vogais tônicas. As vogais átonas são verdadeiramente átonas (=fracas). Uma consequência disso é a colocação dos chamados pronomes átonos (me, te, se, o, lhe, nos...). Em Portugal, por ter a pronúncia fraca, não se põe o pronome átono no início da frase: “Dê-me um pouco de leite”, no Brasil, como as vogais átonas são pronunciadas como se fossem tônicas, não temos nenhuma dificuldade em pôr os pronomes átonas no início da frase: “ Me dá um pouco de leite”. É assim que o brasileiro fala. Quando me refiro ao brasileiro, estou falando do brasileiro geral, de todos os níveis sociais e culturais. Não estou fazendo referência ao “povo” com aquela conotação pejorativa e discriminatória que alguns ainda atribuem à palavra. Não pode ser considerado erro o uso dos pronomes átonos no início da frase.

  Diferenças semânticas existem muitas. Algumas famosas já viraram até piada. Em Portugal, “uma bicha enorme” não é nada mais do que “uma fila imensa”, sem nenhuma outra conotação que algum brasileiro queira dar. E diferenças sintáticas também existem. No Brasil, nós preferimos o gerúndio (“Estamos trabalhando”); Em Portugal, preferem o infinitivo (“Estamos a trabalhar”).

  Mas o que deve ser importante para todos é o uso das formas gramaticais de forma correta, pois nossa língua é uma das mais belas existentes. Saber escrever e escrever corretamente nosso idioma é uma obrigação.

 

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