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23 de Junho de 2010

PARA LER E COMPREENDER

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   Parece que as escolas públicas e particulares perderam o foco de ensinar ao aluno primeiro conhecer a língua materna e desenvolver o gosto pela leitura. Dados de uma recente pesquisa revelam: o aluno que não lê ou que não compreende um texto vai mal também nas outras matérias. Portanto, a leitura e a compreensão dos textos devem ser base da aprendizagem.

           É chamado de "sintoma da circularidade", ou seja, o desempenho da leitura interfere na aprendizagem de todas as matérias, além de promover a socialização e a cidadania do sujeito leitor. Parece óbvio: o aluno não se sai bem nas matérias porque não compreende os textos recomendados pelos professores. Na prova, tende a se sair mal o aluno que não sabe ler os enunciados, que não compreende o que está sendo pedido que se faça.

           O Sistema Nacional de Avaliação Básica (Saeb) avaliou recentemente os estudantes brasileiros, em todas as séries, e demonstrou que o desempenho hoje é pior do que há dez anos. Em Português, os alunos da 8ª série alcançaram 232 pontos. O mínimo aceitável para essa etapa da vida escolar seriam 300 pontos. Uma simples medida poderia reverter esse escandaloso fracasso de nosso sistema de ensino: priorizar o ensino da nossa língua e incentivar a leitura de contos, romances, ficção, enfim, da literatura em geral.

           Não se trata de ensinar o que é dígrafo, lembrando de uma crônica de Rubem Alves. Mas, de desenvolver principalmente no jovem o interesse de ler para pensar melhor. Os jovens de hoje pensam mal porque não sabem como organizar as idéias; usam meia dúzia de palavras querendo dizer tudo, mas fora do seu grupo não faz sentido. A nova geração parece gostar de ler textos descartáveis da Internet, sempre com pressa, sem saborear o sentido das palavras. E, ficam distantes dos jornais, revistas e livros que demandam mais tempo e paciência para interpretação e compreensão.

            Hoje, o propósito de construir um sujeito crítico deve vir junto com a construção de um "sujeito-leitor-crítico", com seu direito de se posicionar de modo independente e formular um pensamento consistente e estilizado sobre o que leu, tanto oral como escrito.

           Um sujeito leitor é aquele que a cada ato de leitura aprende a superar a posição ingênua por outra mais crítica e autônoma no modo de pensar, agir e ser.

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